Racismo?!

 Racismo?!

Estamos no dia 03 de junho de 2020, não é o dia da “consciência” negra, nenhum negro importante morreu ou matou, nenhum negro assumiu a presidência de um país ou se tornou papa, então não veremos, em praticamente nenhum veículo de comunicação, palavras tecidas em direção aos negros, principalmente aos negros do nosso país muito menos de nossa cidade.

É totalmente inadmissível que certas pessoas, mesmo que sendo a minoria de nossa população, julgue e condene outras pessoas apenas pela cor de sua pele, ou pior ainda, que insulte ou até mesmo agrida o outro por esse motivo, mesmo que o outro não tenho feito absolutamente nada.

No último dia 25 de maio, um caso chamou a atenção do mundo, ainda mais por que foi originado nos Estado Unidos, país que tem um histórico negativo em relação ao racismo, principalmente originado da força policial.

George Floyd, foi imobilizado pelo policial da cidade de Minneapolis, utilizando de força excessiva, Floyd ficou deitado de bruços enquanto o policial mantinha o joelho no seu  pescoço. O policial ignorou por várias vezes a fala de Floyd que dizia não conseguir respirar. Após a abordagem Floyd foi encaminhado ao hospital mais não resistiu e veio à óbito.

George, infelizmente, irá elevar as estatísticas de assassinatos em seu país. O caso ainda repercuti por lá, até a ONU se pronunciou através de sua Alta Comissária para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, que pediu aos Estados Unidos que tomem “medidas sérias” após “este último de uma série de assassinatos de afro-americanos desarmados, cometidos pela polícia americana”.

O preconceito não pode ser considerado como tal ou punido como tal, apenas quando casos como o de Floyd vem à público, ou quando o negro morre em decorrência de tal ato absurdo e enojado. Muito menos ser valorizado apenas por ser um caso acontecido no exterior, pois em nossa querida Bocaiuva, infelizmente, casos de racismo, mesmo que inconscientes, acontecem cotidianamente.

Quando uma empresa decide não empregar uma pessoa simplesmente baseada pela cor de sua pele, quando a escolha pela promoção é feita baseada na cor da pele, quando optamos em sermos amigos dos “brancos”, quando o namoro dos filhos e filhas com pessoas de “cor” são motivos de perdas de sono para os pais, quando olhamos na calçada e logo julgamos com “ladrões” ou “bandidos” apenas pela cor da pele, como de várias outras formas que se acontece diariamente, são sim, por mais que achemos que não, formas de PRECONCEITO e RACISMO.

Em entrevista concedida ao bocaiuvaonline, um bocaiuvense, que não quis se identificar, relatou preconceito e racismo vividos por ele, principalmente pelo seu trabalho, que é de motoboy.

“Sempre que chego pra fazer a entrega, mesmo com a mochila térmica, sou recebido por olhares discriminatórios e preocupados. Já teve vez de o pai entrar na frente do filho, para receber o lanche da minha mão, como se estivesse protegendo o filho”

Parece sempre que o que acontece no exterior é mais importante do que o que acontece em nossa cidade, claro que não tivemos mortes declaradas devido ao racismo aqui em Bocaiuva, mais temos que ter o discernimento e a consciência de que nossa cidade conta com vários Floyd’s em potencial, não mortos por joelhos de policiais, mais agonizantes pelo nosso descaso ou preconceito.