Qual o lugar da igreja no mundo?

“Tornamo-nos como aqueles sobre quem tu nunca dominaste e como os que nunca se chamaram pelo teu nome” (Isaías 63. 19).

José Roberto Limas da Silva
Júlia Pires Limas

O texto nos informa que, em dado momento da história, Israel se tornou um povo que não tinha mais relacionamento com Deus, perdendo, assim, suas referências, sua história e sua intimidade com o Senhor. Não obstante, sabemos que tanto a nação de Israel quanto a igreja foram criadas com o propósito de demonstrar o tipo de relacionamento que Deus deseja ter com todo ser humano.

Portanto, a nação de Israel e a Igreja servem de modelo, pois eles foram constituídos por Deus para darem um testemunho eficaz acerca da presença dele no mundo. Nesse sentido, é a identidade que diz quem somos e, a partir dessa identidade, torna-se possível compreender a finalidade de nossas vidas. Por isso, são a identidade e a finalidade que mostram nosso lugar e nossa ação no mundo. Assim sendo, a igreja precisa saber quem ela é para entender o que deve fazer.

Voltando à nação de Israel, esta, na sua estadia no Egito e na Palestina, impactou o mundo antigo com sua mensagem, os milagres e os livramentos de Deus. Já a igreja primitiva foi eficiente na proclamação da mensagem de salvação e perdão, oferecidos gratuitamente na pessoa de Jesus Cristo, aquele que é o Senhor dos Senhores e Rei dos Reis. Assim sendo, a igreja, mesmo diante dos hereges e da perseguição do Império Romano, prevaleceu e se espalhou pelo mundo inteiro.

Isso posto, a pergunta que deve ser feita agora é: Como a igreja contemporânea poderá impactar o mundo atual, que parece desprovido de entusiasmo, encanto e esperança? Penso que a primeira coisa de que a igreja precisa é a consciência de sua identidade, sobretudo porque a questão identitária é sempre o ponto de partida. Isso porque a primeira consciência é a consciência de si mesmo. Sem sabermos quem somos, nada seremos e nada faremos. A identidade é, portanto, o que dá sentido à nossa existência. Por essa razão, a igreja precisa estar consciente de que sua origem está associada à pessoa de Jesus. A igreja sem Cristo não tem sentido, não tem história, não tem identidade “porque ninguém pode pôr outro fundamento além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo” ( I Coríntios 3. 11).

Diante disso, se a igreja não souber quem é Jesus, não descobrirá sua identidade, pois não se tratam de nomenclaturas como católica, evangélica, gospel, protestante etc. Não são essas terminologias que identificam a igreja, mas somente a presença de Cristo (no meio dela) determina o que essa comunidade é realmente. Por isso, é a identidade que diz quem somos na essência e quem somos na procedência e, assim, pode-se dizer que uma igreja que perde sua identidade é uma igreja bastarda.

Dessa forma, a igreja, quando tem uma identidade conhecida e assumida, torna-se uma comunidade cristã competente para desempenhar sua finalidade nesse mundo. Sem embargo, a igreja não pode se tornar refém das demandas do sistema-mundo, mas sim atender a sua vocação precípua, que é abordar a realidade espiritual do ser humano, oferecendo esperança e salvação. Por outro lado, a igreja que enxerga somente o seu entorno sócio-econômico, é uma igreja míope e sem força para realizar a vontade de Deus.