Preparação

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Estudantes de Bocaiuva discutem sobre a possibilidade da “pandemia” cair no ENEM

Enem 2020 será aplicado em 17 e 24 de janeiro (prova impressa) e em 31 de janeiro e 7 de fevereiro (prova digital).

Pandemia, vacinas, imunização da população, gráficos com número de mortes, cálculos de probabilidades. Palavras e conceitos que ganharam o noticiário por causa da pandemia de Covid-19 até podem aparecer na prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2020 mas não diretamente por causa do coronavírus.

“A prova não é elaborada da maneira que a gente imagina, como uma prova de escola”, afirma André Freitas, gerente de projetos pedagógicos do Sistema pH.

Vários estudantes de Bocaiuva vem arrastando essa dúvida em meio à um ano atípico e com várias possibilidades de questões. Não houve tempo presencial necessário em nenhuma instituição de ensino, seja ela particular ou pública, para passar todo o conteúdo de um ano letivo normal, muito pelo contrário, mesmo que estudando em casa, a incerteza do retorno ou não das aulas prejudicou a rotina de estudo de vários estudantes.

“Nós não sabemos qual rotina de estudo seguir, onde focar, ficamos meio perdidos esse ano, e ainda temos a grande dúvida sobre o coronavírus, vai cair? Será que vai ser tema de redação? Devemos estudar sobre o vírus, sobre a pandemia ou sobre a vacina? É tudo muito complicado, estamos nos preparando ao máximo, mais sempre carregamos essa dúvida.” Comentou Paulo Henrique Santos Costa, estudante de Bocaiuva, que se reúne com uma turma de amigos e colegas todas as tardes para estudarem para o ENEM 2020

“A prova do Enem é montada a partir de questões que foram pré-testadas e compõem o ‘Banco Nacional de Itens’. E testar leva tempo, o que pode ter ficado comprometido durante a pandemia, com as escolas fechadas”, explica. “Ainda que caia pandemia, o assunto por trás da questão será outro. Pode ser probabilidade, por exemplo”, aposta.

Assim, pode aparecer questões ligadas a pandemias mais antigas, ou ao calendário de imunização como vacinas contra o sarampo.

A dica é que o aluno fique atento para se preparar para as atualidades no Enem:

  • “Atualidade” não é sinônimo de “notícia de hoje”: um tema atual pode estar sendo discutido na sociedade há alguns anos, como é o caso das vacinas. A queda da imunização de doenças infectocontagiosas vem ocorrendo há alguns anos. Mas, caso o tema apareça no Enem 2020, os alunos poderão achar que é só por causa da pandemia do coronavírus.
  • Identifique as habilidades e competências exigidas a partir de um fato: a notícia em si não vai ser cobrada no Enem. Então, não será preciso saber, por exemplo, quais tipos de vacinas contra Covid estão sendo desenvolvidas. Mas calcular a probabilidade de infecção a partir de uma situação-problema pode aparecer.

O Enem 2020 será aplicado nos dias 17 e 24 de janeiro (prova impressa) 31 de janeiro e 7 de fevereiro (prova digital).

Do vírus à pandemia

Segundo Freitas, a prova também poderá apresentar uma discussão sobre a transmissão do vírus e como isso virou pandemia.

“A pandemia tem essa coisa intercontinental, do mundo globalizado com viagens de aviões [que espalharam o vírus], a necessidade de ‘lockdown’. Como um vírus se espalha em semanas? Aconteceu com a Covid, mas antes também teve H1N1 e gripe espanhola”, reflete.

Outro tema que pode aparecer no Enem com cara de “atualidade” é a vacinação e a imunização da população.

“Mas não por causa da Covid em si”, afirma Ademar Celedônio, diretor de Ensino e Inovações Educacionais do SAS Plataforma de Educação. “Ano passado tivemos um surto de sarampo, e isso pode aparecer na prova.”

Para se preparar, o estudante não precisará saber quantas pessoas morreram, por exemplo, mas vale investir no estudo da doença – como ela se desenvolve e quais aspectos estão envolvidos na prevenção, entre outros temas