Prejuízo

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Bocaiuvenses seguem sem mercadorias devido à greve dos correios em plena pandemia

A greve foi deflagrada no último dia 17 e já dura mais de 20 dias, com isso, as entregas não estão sendo realizadas e os produtos estão parados nos CD’s de todo o país, por mais que a causa é nobre e tem o apoio de mais de 40% da população, bocaiuvenses seguem acumulando prejuízos pelo não recebimento de suas mercadorias.

Empório Natural

Cerca de 100 mil funcionários dos Correios em todos os estados do país decidiram entrar em greve a partir das 22 horas de segunda-feira (17 de agosto). A paralisação ocorre por tempo indeterminado, em protesto contra a retirada de direitos, a privatização da empresa e a ausência de medidas para proteger os empregados da pandemia do novo coronavírus, informou a Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas dos Correios e Similares (Fentect).

Em nota, a federação afirma ter sido surpreendida com a revogação, a partir de 1º de agosto, do atual acordo coletivo, cuja vigência vai até 2021. Segundo a entidade, 70 cláusulas com direitos foram retiradas, como 30% do adicional de risco, vale-alimentação, licença-maternidade de 180 dias, auxílio-creche, indenização por morte e auxílio para filhos com necessidades especiais, além de pagamentos como adicional noturno e horas extras.

Sobre as ações da empresa para enfrentamento da pandemia, a federação relata que teve de acionar a Justiça para garantir aos empregados equipamentos de proteção individual, álcool em gel, testagem e afastamento daqueles integrantes de grupos de risco e dos que coabitam com crianças em idade escolar. A entidade afirma que se trata de estratégia para precarizar e privatizar a empresa.

“O governo Bolsonaro busca a qualquer custo vender um dos grandes patrimônios dos brasileiros, os Correios. Somos responsáveis por um dos serviços essenciais do País, que conta com lucro comprovado, e com áreas como atendimento ao e-commerce que cresce vertiginosamente e funciona como importante meio para alavancar a economia”, disse o secretário geral da Fentect, José Rivaldo da Silva.

Garantir os seus direitos é digno de todo trabalhador, ainda mais em categoria organizada, como é o caso dos correios, entretanto, como sempre, a parte mais frágil é que acaba sendo prejudicada, e nesse caso é o consumidor final, que fica na pendência de receber o que comprou.

O momento que atravessamos é propício para o aumento das compras virtuais, pois com o isolamento social essas modalidade comercial vem ganhando terreno e espaço em todo o mundo, o que não é diferente de Bocaiuva, porém, para receber a mercadoria é necessário a realização da entrega que, na maioria das vezes, é feita pelos correios, o que não está ocorrendo durante a greve.

A greve encontrou compradores fragilizados pela pandemia que estão fazendo uso das compra on-line, por necessidade, como é o caso da Cristiane, moradora de Bocaiuva que comprou uma batedeira industrial pela internet para aumentar sua produção de salgados, mais ainda não recebeu o produto:

“A intenção era intensificar a produção nesse período, porém, como eu ainda não recebi a batedeira já estou perdendo dinheiro, pois fui obrigada e dispensar várias “encomendas” por não dar conta da produção”.

Cliente que fazem suas compras não tão urgentes ou necessárias também estão sofrendo com a demora e ansiedade da entrega.

“Como moramos no segundo andar, compramos uma tela de proteção para as janelas para evitar um acidente maior com o nosso filho que já está na fase de empurrar as cadeiras e subir em cima, mais ainda não chegou”. Comentou Rafaela.

O Tribunal Superior do Trabalho (TST) marcou para hoje, 11, às 15 horas, audiência de conciliação para que trabalhadores dos Correios tentem entrar em acordo com a companhia

Há chances de que a categoria volte a trabalhar a qualquer momento, já que aguardava a data do julgamento. Mas pode acontecer também de os trabalhadores escolherem esperar a decisão da Corte, o que é menos provável.