Por que o assassinato do principal cientista nuclear iraniano é atribuído a Israel?

 Por que o assassinato do principal cientista nuclear iraniano é atribuído a Israel?

Governo Netanyahu incrementa campanha militar nos últimos dez anos para enfraquecer programa nuclear de Teerã e evitar que regime desenvolva armas atômicas.

A emboscada que matou Mohsen Fakhrizadeh, apontado como o principal cientista nuclear iraniano, foi rapidamente atribuída a Israel, que, apenas por não negar, dá indícios de seu envolvimento. Parece déjà vu e enredo de série, mas em dez anos o Irã acusou o Mossad (serviço de inteligência israelense) pela morte de cinco de seus projetistas de ogivas nucleares, quatro deles entre 2010 e 2012.

O padrão destas operações — assassinatos seletivos em território iraniano — segue um preceito difundido pelo governo de Benjamin Netanyahu: Israel não tolerará que o regime dos aiatolás desenvolva armas nucleares e deve ser capaz de defender-se. A campanha militar contra o Irã pretende enfraquecer o inimigo antes que ele fique forte.

O próprio premiê sustentou a tese, insinuando, na semana passada, num vídeo postado nas redes sociais, que não pode contar tudo sobre as ações de Israel. O assassinato do cientista, na última sexta-feira, tem versões distintas e espetaculosas: por um ataque acionado por uma metralhadora operada remotamente, segundo a agência de notícias Fars, ou por um esquadrão de 12 homens que surgiram armados depois que um veículo foi detonado.

O fato é que, por bombardeio ou tiroteio, a morte de Fakhrizadeh, enterrado como mártir, ressoa como mais uma humilhação ao regime teocrático e alimenta novas ameaças de retaliação a Israel. O timing coincide também com a eleição de Joe Biden nos EUA e pode ser mais uma artimanha israelense para frear os planos de retomada das negociações com o Irã sobre o acordo nuclear.

Por pressão de Israel, em 2018, o presidente Trump retirou o país do pacto firmado entre Irã e seis potências que visava a limitar programa nuclear em troca do alívio das sanções. Como consequência, o regime abandonou o compromisso de limitar o enriquecimento de urânio.

Nos últimos dois anos, Israel tem sido vinculado a tentativas de minar ou desacelerar o programa nuclear iraniano. Numa delas, após a invasão de um depósito nos arredores de Teerã, foram roubados dezenas de milhares de documentos secretos.

Fonte: G1