Por que não devemos terceirizar o nosso relacionamento com Deus?

José Roberto Limas da Silva

“Disse aos levitas que ensinavam a todo o Israel e estavam consagrados ao Senhor: Ponde a arca sagrada na casa que edificou Salomão, filho de Davi, rei de Israel; já não tereis esta carga aos ombros; servi, pois, ao Senhor, vosso Deus, e ao seu povo de Israel” (2 Crônicas 35. 3).

Nosso relacionamento com Deus é pessoal e intransferível. Ninguém pode ocupar o nosso lugar diante de Deus, assim como nenhum ser, instituição ou religião pode ocupar o lugar de Deus em nossa vida. Olhando para o texto, mencionado acima, percebemos que a nação de Israel estava, ainda, acostumada com a mediação dos Levitas nas atividades cultuais, assim a Arca da Aliança (símbolo da presença de Deus) era levada até os hebreus, em suas comunidades. Nesse sentido, o povo hebreu é exortado a sair de sua zona de conforto e comparecer ao Templo ao invés de ficar esperando que os Levitas levassem a Arca da Aliança até eles.

A partir dessa proposta de mudança cultual, entendemos que era vontade de Deus que cada hebreu desenvolvesse sua própria experiência religiosa, saindo do papel de mero receptor de serviços religiosos, mediados pelo ministério dos levitas, mas assumindo o protagonismo de sua fé. Os hebreus são desafiados a deixarem seus lares e se deslocarem para Jerusalém, como se percebe no Salmo 122: “Alegrei-me quando me disseram: Vamos à Casa do Senhor. Pararam os nossos pés junto às tuas portas, ó Jerusalém! Jerusalém, que estás construída como cidade compacta, para onde sobem as tribos, as tribos do Senhor, como convém a Israel, para renderem graças ao nome do Senhor” (Sl. 122. 1 – 4).

Isso posto, percebemos que a vida religiosa não é uma relação indiferente, passiva e terceirizada, ao contrário, cada crente deve assumir o protagonismo de sua fé, comparecendo perante o Senhor Deus. O próprio Senhor Jesus nos informa que Deus tem essa expectativa, pois “os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; sendo estes que o Pai procura para serem seus adoradores” (paráfrase de João 4. 23).

Portanto, precisamos ir ao encontro do Senhor Deus, e não ficarmos esperando que alguém traga ele até nós. Quando os Levitas são exortados a pararem de carregar a Arca do Senhor nos ombros e deixá-la no templo, a mensagem é bastante clara: Deus não queria que o povo estivesse sujeito à mediação dos Levitas, mas que cada hebreu tivesse a iniciativa de buscar o Senhor no seu santo templo.

Por fim, a lição que fica para nós, no contexto do Novo Testamento, é que cada cristão deve ter um relacionamento pessoal e íntimo com Deus, não vivendo uma fé passiva, uma religiosidade superficial e mediada por agentes religiosos. Cada um de nós é desafiado a sair de sua zona de conforto e sair ao encontro do Senhor, como está proposto em sua palavra: “Buscai o Senhor enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto” (Isaías 55. 6).