Pneumatologia? O que vem a ser isso?

A doutrina do Espírito Santo, conhecida como Pneumatologia (pneuma – espírito & logia – estudo), é de fundamental importância para a igreja. Encontramos na Bíblia sua validação como assunto central no texto sagrado, especialmente, no Novo Testamento. Muito bem! Isto por si só seria suficiente para enveredarmos pelo estudo da disciplina, mas existem, ainda, questões bastante pragmáticas, que dizem respeito à vida cultual da igreja, sua liturgia e ação missionária.

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É de bom alvitre, também, considerar que a Pneumatologia como capítulo específico da teologia sistemática não aparece em teologias históricas como a de Strong ou de Berkhof. Nestas teologias a pessoa e obra do Espírito Santo aparecem subsumidas pela Cristologia e pela Soteriologia, mas não constituem um capítulo separado. Como disse Bancroft, “este assunto, tão querido à igreja primitiva e tão destacado no ensino e na pregação apostólica, nestes nossos dias de pensamento e teologia modernos tem sido relegado bem para o segundo plano” (BANCROFT, 1960).

E de fato, como percebeu Bancroft, a Pneumatologia, não obstante sua importância no arcabouço da doutrina do Novo Testamento, sempre foi enxergada como um desdobramento da doutrina da salvação, ou mesmo na aplicação da doutrina da redenção. Outro motivo que explica esta ausência, como capítulo da teologia sistemática, “é devido ao fato de que, dentro do alcance da compreensão usual da verdade revelada, o Espírito Santo não é apresentado como um objeto de fé, como são o Pai e o Filho. A salvação não é dita depender da fé no Espírito Santo, como é o no caso do Pai (cf. Rm. 4. 24), ou do Filho (cf. Jo. 3. 16)” – (CHAFER, 1948).

Esta tendência acadêmica que prevaleceu, até então, traz prejuízos para a vida religiosa da igreja, uma vez que, conforme Chafer, “a situação reconhecida por todos os que conhecem essas doutrinas – que quase nada do número limitado de hinos da Igreja que ensinam a doutrina do Espírito Santo são escriturísticos – deve ser explicada pelo fato de que não tem sido dada atenção a esse assunto” (CHAFER, 1948). Isto é facilmente verificável quando observamos a literatura da igreja, assim como sua produção artística em relação à pessoa do Espírito Santo. Concluímos, com facilidade, que tanto textos quanto músicas são pouco apurados teologicamente.

Felizmente, em teologias sistemáticas mais recentes, a Pneumatologia constitui um capítulo separado como as demais doutrinas (Teontologia, Cristologia, Bibliologia, Eclesiologia, Soteriologia, Escatologia). Pensamos que sua presença faz justiça ao texto bíblico e, além disto, a igreja cristã precisa de orientação e doutrinamento acerca da obra do Espírito Santo no seu seio. O próprio Senhor Jesus afirmou que ele enviará outro consolador para continuar a obra que ele começou em nossas vidas. Portanto, reconheçamos a presença do Espírito Santo em nossas comunidades de fé, prestemos-lhe a adoração e a honra que ele merece.