Parque Santa Lúcia

A nossa existência tem dois pontos em comum, o nascimento e a morte.

No momento do nascimento começamos também a morrer. E a cada dia, existe a certeza intragável de que a qualquer momento da existência vamos morrer fisicamente. O que nos diferencia está entre o que vamos fazer no pequeno espaço de tempo que denominamos vida e como lidamos com a certeza de que tudo um dia terá fim.
Por mais que seja indesejável, a morte é aquilo que nos iguala existencialmente. Podemos nascer em lugares distintos e durante a nossa existência escolher ser médico, advogado, professor, padre, policial, gari, ou seja lá o que for, porém o que nos tornará iguais é a morte e uma morada em comum, o cemitério.

Em Bocaiúva, por muito tempo, a nossa morada comum se situava na área central da cidade, quando alguém partia, o cortejo fúnebre com o caixão era carregado por familiares e amigos á frente, e atrás em uma caminhada lenta e triste os demais entes acompanhavam até ao cemitério, todos tinham a experiência com a morte e uma relação de respeito com aquele que acabara de partir, os comerciantes fechavam as portas dos seus comércios em respeito, e muitos expressavam seus sentimentos mesmo que não conhecessem quem tivesse partido.

Hoje os corpos são levados em carros e apenas a família e amigos mais próximos acompanham em um cortejo até seu destino.

Encontraram argumentos para retirada dos cemitérios do nosso olhar cotidiano, ele se encontra longe do convívio humano, á margem, talvez por ser um lugar indesejável aos olhos, mas vemos que é apenas uma forma que o homem contemporâneo encontrou para fugir sem êxito da sua própria finitude.

Assim como outros monumentos históricos da cidade, tiramos do nosso convívio esse patrimônio histórico, o cemitério, porém ali residem as memórias da nossa história, a história de cada um que já cumpriu sua existência em Bocaíuva, ou mesmo fora daqui, mas que escolheu morar eternamente na nossa cidade, um pouco de cada um de nós e da cidade se encontra ali e mesmo em silêncio nos diz tanto e chega a nos emocionar.

Viva o nosso maior patrimônio histórico e cuidemos em vida da nossa morada eterna.

Fonte: @namorandobocaiuva