Ney Franco admite jogo “terrível” do Cruzeiro no Mineirão, mas garante: “O pensamento é acesso”

 Ney Franco admite jogo “terrível” do Cruzeiro no Mineirão, mas garante: “O pensamento é acesso”

Treinador diz que, apesar de mais uma partida com derrota – e péssimo desempenho -, a Raposa olha para a tabela do Brasileirão pensando apenas no retorno à Série A

O Cruzeiro entrou em campo nesta quinta-feira, contra o Sampaio Corrêa, no Mineirão, e amargou mais uma derrota na Série B. Mais do que o resultado negativo, o que se viu foi um time apático, sem criatividade, sem força de marcação e que foi derrotado por 2 a 1 de forma justa. O treinador Ney Franco não poupou palavras para avaliar a atuação “terrível” da sua equipe.

Empório Natural

“Tanto os mais velhos, quanto os mais jovens. Tanto no primeiro tempo, quanto no segundo tempo. A gente fez um jogo terrível no Mineirão” – Ney Franco.

– Tirando o jogo contra a Ponte Preta (quando o time foi bem durante todo o jogo), os outros jogos a gente teve lampejos de equipe bem organizada. (Contra o Sampaio), acho que nem lampejos a gente teve. Conversamos com os atletas. Não tem como justificar. Você pode perder um jogo em casa, mas não tem como explicar perder da forma como perdeu. A gente teve vários erros, não teve força ofensiva, e defensivamente ficou muito exposto. A gente ficou no meio do caminho, querendo atacar, mas sem coordenação. Ao mesmo tempo, o adversário mais uma vez explorou o contra-ataque, por isso a gente paga com mais uma derrota. A gente jogou muito abaixo.

São apenas duas vitórias nos últimos 11 jogos da Série B. Nos tropeços, várias atuações ruins. A tabela mostra o Cruzeiro na zona de rebaixamento para a Série C, com apenas 11 pontos e na 18ª posição. Apesar do contexto delicadíssimo, Ney Franco garante que a conversa interna sobre objetivos na competição é uma só: de acesso à Série A.

– O pensamento nosso é o acesso. A gente sabe que em alguns momentos isso parece impossível, e logicamente que a leitura está aí, a gente não pode desprezar a matemática. Se existe um detalhe que norteia o trabalho de qualquer treinador, principalmente em pontos corridos, é a matemática. A gente sabe do grau de dificuldade que a gente tem pela frente no Brasileiro. Mas a gente fica esperançoso que, com trabalho e alguns ajustes, a nossa equipe possa encaixar uma sequência de seis, sete vitórias seguidas no Brasileiro, e o ideal é que isso aconteça o mais rápido possível, pra gente começar a figurar em outra posição na tabela, aproximar das equipes que estão lá na frente – disse.

– A gente está trabalhando é com isso. A fala nossa é de acesso, o tempo todo, e já começamos, no vestiário, uma cobrança. Quando eu falo cobrança, é cobrança dos atletas, da comissão, todo mundo no mesmo barco. Depois dessa cobrança, o único caminho é nos juntarmos de novo, fechar a equipe e mobilizar pro confronto com o Oeste, fora de casa, pra que a gente comece a reverter nossa situação na Série B do Brasileiro.

O Cruzeiro volta a campo no domingo, às 16h (de Brasília), contra o Oeste, na Arena Barueri. A equipe paulista é a lanterna da Série B, com apenas 6 pontos.

Outras respostas de Ney Franco

Referência positiva e referência negativa

– A gente tem um elenco com qualidade pra realizar uma Série B melhor. Ao término do jogo, a gente tem duas referências: pra gente ter resultados positivos, temos que jogar no nível que jogamos contra a Ponte Preta. Ali você viu a qualidade técnica dos jogadores, aliada ao bom posicionamento em campo, uma equipe muito bem postada, sabendo, sem a posse de bola, as áreas de marcação, em alguns momentos marcando alto, em outros marcando baixo, explorando contra-ataque, com as bolas paradas bem desenvolvidas. Essa é a referência positiva que a gente precisa ter no Brasileiro. Agora, gente tem uma referência super negativa (o jogo contra o Sampaio).

– Se a gente tiver mais uma ou duas partidas do nível dessa (contra o Sampaio), está fadado ao insucesso. Mas eu acredito na recuperação. Minha responsabilidade é de treinador. Tenho que bater no peito, assumir quando a equipe joga mal e tem resultado negativo. Eu, como treinador, tenho que ter uma leitura do que aconteceu. Não é uma responsabilidade só dos atletas, é do treinador também. Cabe a mim e aos atletas ir pra campo, trabalhar, mobilizar a equipe pro jogo contra o Oeste e fazer de tudo pra que esse jogo marque nossa arrancada, pra que a gente tenha um aproveitamento alto, que é o que a gente precisa na temporada para conseguir esse acesso.

Por que a insistência com os jogadores mais velhos?

– Vejo o tanto que o Fábio está trabalhando pra conseguir tirar o Cruzeiro dessa situação e recolocar o Cruzeiro na Série A. Eu vejo o tanto que o Manoel está trabalhando e envolvido. Vejo a dedicação do Henrique no dia a dia, também do Sassá. Estamos falando de quatro jogadores que participaram da última temporada e dessa temporada do Cruzeiro. Ao lado desses quatro, temos o Ramon na zaga, que é jovem, temos o Matheus (Pereira), que vinha jogando, que é jovem. Temos, na direita, o Daniel (Guedes) e o Rafael (Luiz), que vêm jogando também. Por dentro, temos o Machado, em alguns jogos temos o Jadsom. No lado direito temos o Airton jogando, o (Arthur) Caíke, que chegou agora também.

– Os jogadores jovens que temos estão sendo usados. Além dos que eu citei, o Maurício está entrando nos jogos, entrou o Claudinho. Não fez diferença nenhuma no segundo tempo do jogo, com esses atletas. A gente sabe que nesse momento esses jogadores mais experientes vêm assumindo, e (o torcedor) vem jogando nesses jogadores toda a responsabilidade, por ter uma experiência recente com esses atletas. Temos que lembrar o tempo todo que temos limitação de inscrição de atletas, e estamos no clube que temos atletas treinando, contratados, que não têm condição de jogo. Preciso mobilizar, e prefiro mobilizar os atletas que estão conosco do que a gente desandar, dispensar, afastar atleta, e daqui a pouco não ter nem jogador pra entrar em campo.