Nada de torres gêmeas: Jorge Sampaoli quer zaga que alie força e velocidade no Atlético-MG

 Nada de torres gêmeas: Jorge Sampaoli quer zaga que alie força e velocidade no Atlético-MG

Dupla formada por dois zagueiros altos, padrão adotado em boa parte da década no Galo, deve ser abandonado sob comando do treinador argentino

O torcedor do Atlético-MG se acostumou, nos últimos anos, a ver “torres gêmeas” na zaga. O apelido ganhou força nos primeiros anos da década, quando Léo Silva e Réver comandaram a defesa entre 2011 e 2013. Depois disso, outras formações com dois zagueiros altos (geralmente não tão rápidos) foram titulares, caso de Léo Silva e Maidana (2018) e Réver e Igor Rabello (2019). Ao que tudo indica, esse modelo de dupla de zaga dificilmente será visto no Atlético versão 2020, comandado por Jorge Sampaoli.

Na estreia do argentino no comando do Galo, antes da pandemia, Gabriel e Igor Rabello foram titulares na vitória sobre o Villa Nova por 3 a 1. A opção foi por uma zaga mista, que tinha Rabello mais alto (1,90m) e mais forte na bola aérea, e Gabriel mais baixo (1,81m) e mais rápido. Réver (1,92m) ficou no banco.

Duplas de zaga titulares do Galo (na maior parte de cada temporada desta década)

2011 – Léo Silva e Réver
2012 – Léo Silva e Réver
2013 – Léo Silva e Réver
2014 – Léo Silva e Jemerson
2015 – Léo Silva e Jemerson
2016 – Erazo e Gabriel
2017 – Léo Silva e Gabriel
2018 – Léo Silva e Maidana
2019 – Réver e Igor Rabello

No primeiro dia de treinos do Galo “pós-quarentena” (19 de maio), foi possível observar, em uma foto (veja abaixo), uma formação defensiva com Fábio Santos, Réver, Gustavo Henrique e Maílton. Tudo indica que era, naquela ocasião, a linha defensiva reserva, o que leva a crer que, no elenco atual, Igor Rabello e Gabriel são os titulares na cabeça de Jorge Sampaoli.

Isso já seria um bom indício de que o treinador argentino não quer usar, no Atlético, uma dupla de “torres gêmeas”, com dois zagueiros altos – e mais lentos – lado a lado (Réver e Igor Rabello, por exemplo). Sampaoli quer no mínimo um defensor mais rápido, com boa recuperação e bom passe, já que a saída de bola com qualidade é quase um pré-requisito para todos os jogadores que vislumbram titularidade com o argentino.

Formação defensiva em treino do Atlético-MG — Foto: Pedro Souza/Atlético-MG
Formação defensiva em treino do Atlético-MG — Foto: Pedro Souza/Atlético-MG

As movimentações recentes do Galo no mercado – especialmente no que diz respeito a zagueiros – também indicam isso. O clube fez uma proposta oficial por Junior Alonso, zagueiro do Lille (França) que joga no Boca Juniors. Alonso tem 1,84m e também não é alto se for considerada a média da posição.

Além de tentar o paraguaio, o Atlético fez uma proposta – essa muito mais próxima de um acerto – para contratar, por empréstimo, o brasileiro Bueno, de 24 anos, que joga no Japão. Bueno também não é um zagueiro alto. Tem 1,82m e, segundo Zico (que o acompanha de perto no Japão), tem a força física e a boa recuperação como características principais.

Bueno, zagueiro do Kashima Antlers próximo do Atlético — Foto: Divulgação/Kashima Antlers
Bueno, zagueiro do Kashima Antlers próximo do Atlético — Foto: Divulgação/Kashima Antlers

Alonso e Bueno são jogadores indicados por Sampaoli à diretoria do Galo. E têm perfis parecidos. Significa dizer que o argentino quer pelo menos mais um defensor com velocidade e boa recuperação no elenco, mesmo que esse jogador não tenha uma estatura não tão privilegiada. O “profe” gosta de Gabriel, mas quer opções. E isso deixa claro que a zaga com “torres gêmeas”, que se garante pelo alto, mas tem dificuldade em lances mais rápidos, será coisa rara de se ver no 2020 atleticano.

Fonte: GE