Lisca exalta variações de Sampaoli e aposta em título do Atlético-MG no Brasileiro: “Acho que vai levar”

 Lisca exalta variações de Sampaoli e aposta em título do Atlético-MG no Brasileiro: “Acho que vai levar”

Treinador do América teve quatro duelos com o Galo do comandante argentino (um jogo-treino), e enaltece trabalho: “Os princípios de jogo do time dele são diferentes dos nossos aqui no Brasil”

Nenhum outro treinador do futebol brasileiro enfrentou mais vezes o Atlético-MG de Jorge Sampaoli do que Lisca. O atual comandante do América-MG viu de perto, por quatro vezes, a metodologia que o argentino implementou para colocar o Galo na liderança do Brasileirão. Para Lisca, a perspectiva é a posição na tabela continuar para o Atlético até o fim da competição.

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Em três jogos no Campeonato Mineiro, além de um jogo-treino, Lisca observou a filosofia diferente, com variações táticas, ideias novas, que Sampaoli trouxe ao futebol brasileiro. Juntando isso com a qualidade dos jogadores do Atlético, e o foco único nos pontos corridos, a aposta de Lisca é que o Galo “dificilmente deixará escapar o título”.

– Acho muito difícil ele deixar escapar o título esse ano. Vai ser muito difícil. Eu acho que vai levar (o Brasileiro). Só disputa o Brasileiro, tem um investimento altíssimo. (…) A metodologia dele, os princípios de jogo do time dele são diferentes dos nossos aqui no Brasil. As movimentações, a construção desde o goleiro, as variações táticas – afirmou Lisca, ao canal Fox Sports.

O primeiro contato entre os treinadores foi em um jogo-treino na Cidade do Galo, antes de o Campeonato Mineiro retomar. No CT do Atlético, eles conversaram rapidamente. Depois, o primeiro jogo pós-pandemia foi justamente um clássico Coelho x Galo. Os dois clubes se classificaram para a semifinal e fizeram mais dois duelos.

O Atlético eliminou o América e acabou se sagrando campeão estadual. Em mais de 300 minutos de confrontos, Sampaoli mudou a escalação e até mesmo a disposição tática do time. Algo já comum no Galo.

– Em nenhum deles (dos duelos) ele repetiu o time ou a maneira tática do time jogar. Pro treinador adversário é muito difícil, é um exercício de adivinhação e de tentar ver o que ele vai fazer. Ele faz o rodízio pra manter a intensidade do time, pra poder aplicar a metodologia dele o tempo inteiro. É pressão o tempo inteiro, ataque o tempo inteiro. É um jogo posicional diferente. Dois jogadores bem abertos, um jogador pelo centro, que circula, dois meias que jogam por dentro, que fazem penetração o tempo inteiro. Os laterais não apoiam por fora, apoiam por dentro, então ele se protege muito quando perde a bola também.

“Durante o jogo, ele troca taticamente o time, com os mesmos jogadores. Tem jogador que começa o jogo, faz o gol, no outro jogo ele não começa, está no banco” – Lisca, sobre o trabalho de Sampaoli.

“Alonso é um meia na zaga”

No jogo-treino de julho, Lisca confidenciou a Sampaoli que o goleiro Everson, do Santos, estava “louco” para jogar no Atlético. Não que fosse grande novidade para o argentino, afinal, se Everson foi treinado por Lisca no Ceará, teve o comando de Sampaoli no Santos. Para Lisca, a chegada do goleiro, titular e importante na construção de jogadas, deixou o time do Galo completo.

“É um cara de muita capacidade na iniciação do jogo. O Everson quebra linha com passe, sabe onde jogar pra construir, pra atrair o adversário. (…) Acho que o time está completo. E agora vai ser difícil ganhar dos caras”.

Além do goleiro, o treinador do América também enalteceu a qualidade do zagueiro Junior Alonso na defesa. Ressaltou a categoria de um “meia-esquerda” que o paraguaio possui. Não à toa, é o único jogador a ter sido utilizado como titular em todos os 17 jogos do Galo pós-pandemia, e só será desfalque pois foi convocado para a seleção paraguaia nas Eliminatórias de outubro.

– Hoje, vê o time do Atlético aqui. Savarino, ninguém conhecia: extremo, joga pra caramba. Keno… O Allan e o Arana, pelo amor de Deus, os caras jogam demais. Aí ele trouxe o Junior Alonso, que é um quarto zagueiro, que veio do Boca Juniors. Meu amigo, esse cara é um meia-esquerda na quarta zaga. Pela visão que ele tem de construção. Ele sai tabelando por dentro. Ele toca no volante, sai por dentro. Você fica: “Meu Deus do céu, o zagueiro não faz isso. Não tem como ele fazer isso”. Ele faz.

“Eles potencializam o que o jogador tem de bom. E eles dão muita coragem pro jogador. Acho que esse é o grande ponto que eles deixaram, o grande legado que eles (treinadores estrangeiros) deixaram”.

Fonte: GE