Entrevista com o tatuador Marcelo “Bboy”

 Entrevista com o tatuador Marcelo “Bboy”

O bocaiuvense é mundialmente conhecido por suas tatuagens e modificações em seu corpo

O entrevistado dessa semana do bocaiuvaonline é o segundo homem mais tatuados do Brasil, tem mais de 1.000 tatuagens espalhadas por todo o seu corpo e não pensa em parar por aí, ele quer mais.

Empório Natural

Marcelo de Souza Ribeiro, mais conhecido como Marcelo “Bboy”, é natural de Bocaiuva, tem 38 anos, atualmente ele mora em São Paulo, local para onde se mudou à 10 anos atrás, Marcelo tem dois filhos, Alef de 8 anos, que ainda mora com a sua mãe em Bocaiuva e Hillary que tem 18 anos e mora no interior de São Paulo; Marcelo já é avô, tem um netinho, o João Miguel, de 2 anos, filho da Hillary.

Muito carismático e atencioso, Marcelo atendeu ao nosso pedido de entrevistá-lo, prontamente, mesmo em meio à correria do dia a dia.

Bocaiuvaonline – Fazer uma tatuagem, às vezes, é uma decisão que leva tempo para ser tomada, imagina mais de 1000. Quantos por cento do seu corpo é tatuado? Onde não tem tatuagem?

Marcelo – Mais de 90% do meu corpo é tatuado. Eu tenho apenas uma palma da mão tatuada, que é a esquerda, eu mesmo que tatuei essa telha de aranha, quando eu fui fazer essa doeu, eu fiz bem devagar e bem concentrado, porque a tinta ela tem que pegar bem. Hoje eu tenho “medo” de tatuar a outra mão, por enquanto não pretendo tatuá-la. Além da palma da mão direita tem outros lugares “particulares” que não tatuei ainda.

Bocaiuvaonline – Ter o corpo marcado é algo que dificilmente pode ser alterado, é algo que fica pra vida toda. Da onde vem o seu gosto pela tatuagem? qual foi a primeira e com quantos anos?

Marcelo – Antes de fazer as tatuagens, eu dançava dança de rua, já usava o meu corpo como forma de expressão, me sentia muito bem com isso, tanto que a primeira tatuagem que eu fiz foi sobre o hip hop, na época eu tinha 15 anos e fiz sem autorização dos meus pais. Como eu dançava o hip hop, se tornou uma fascinação pra mim, depois que eu fiz a minha primeira tatuagem, quando eu cheguei em casa a minha mãe falou simplesmente assim: – Já começou a fazer, né?! Ela só falou isso, aí como ela só falou isso, aí eu pensei, como já comecei a fazer, agora eu vou terminar, aí no outro dia eu já fiz mais uma tatuagem, passando mais 2 dias eu fiz outra e por aí foi.

Bocaiuvaonline –  Hoje você vive das tatuagens, nas suas redes sociais você divulga os seus trabalhos, que são muitos bons, diga-se de passagem, mais nos chamou a atenção dois deles que frequentemente vemos você realizando em seus clientes e que parecem serem os que causam mais impacto nas pessoas que são: a tatuagem no olho  e a bifurcação da língua. Realmente esses são os dois serviços que mais solicitam de você? Você tem se especializado neles?

Marcelo – Sim, eu trabalho com tatuagens há mais de 15 anos, desde quando eu comecei a fazer em mim mesmo, minha renda, hoje, toda vem das tatuagens, das colocações dos pirceng’s, das modificações corporais, mais principalmente das tatuagens nos olhos, onde eu viajo o Brasil inteiro realizando o procedimento.

Bocaiuvaonline – Você também é tatuador, além de várias outras qualidades que você tem e trabalhos que desenvolve. Algumas tatuagens que você tem hoje, foi você mesmo quem fez? Quais são os temas?

Marcelo – Eu mesmo fiz algumas, principalmente no começo, antigamente quando eu comecei era uma questão de uns 4 ou cinco por dia que mesmo fazia, comecei pelos braços, depois fui para o tórax até chegar no rosto. Os temas são os mais variados possíveis, personagens infantis, flores, animais, terror, família, como o desenho do meu pai que já é falecido.

Bocaiuvaonline –  Você hoje é uma figura pública, trabalha com shows e eventos, não apenas no Brasil, mais em todo o mundo. Quantos e quais são os prêmios que você já recebeu?

Marcelo – Ah, eu já tive bastante premiações, a maioria das minhas premiações são referentes à participações em convenções de tatuagens como atrações, eu sempre ganho as premiações, mais já tive premiações em outros países, como Equador, Argentina, Bolívia, Paraguai dentre outros.

Bocaiuvaonine –  O tempo passa, as coisas mudam, pelo menos a maioria delas, e nós temos o hábito de pensar como poderia ser diferente se tivéssemos feito outras escolhas no nosso passado. Você, em algum momento, já se arrependeu das tatuagens ou qualquer outra transformação que você fez em seu corpo?

Marcelo – Não, sempre foi tranquilo, no começo eu ainda pensava em fazer ou não fazer, mais todos os procedimentos que eu fiz eram os que eu realmente sempre quis fazer, mais todos foram estudados, nada foi feito de uma hora para outra.

Bocaiuvaonline –  Qual o conselho você deixaria para quem tem vontade de fazer a sua primeira tatuagem mais tem algum tipo de medo ou receio?

Marcelo – A aparência não muda ninguém, não muda o seu caráter, não muda a sua religião, não muda o seu gosto em nada; o que muda a gente é o coração da gente, a pessoa descriminar uma pessoa que é tatuada, uma pessoa que é negra, uma pessoa homossexual, fé no coração e a vida que segue.