Entrevista com o Educador Físico Gabriel Franco

 Entrevista com o Educador Físico Gabriel Franco

Reconhecido nacional e internacionalmente pelos projetos idealizados e desenvolvidos por eles

Gabriel Franco, 22 anos, que é Faixa Preta 1° Dan Internacional em Taekwondo; especialista em defesa pessoal, além de professor de Muay Thai. Tem 14 anos de prática nas Artes Marciais. Aos 21 anos, idealizou o Centro de Capacitação Física Team Franco, que vem se tornando referência em saúde e qualidade de vida.

Empório Natural

Além disso, Franco é Atleta integrante da Seleção, pelo Centro de Treinamento Esportivo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). O jovem atleta foi premiado em Paris – França, pelo grupo MULHERES DO BRASIL, por desenvolver o programa TEAM FRANCO CONTRA A DEPRESSÃO. Gabriel também é criador do evento Encontro Esportivo para Mulheres. Técnico de Taekwondo nacional. Multicampeão no Taekwondo. Membro do LAFISAB – Laboratório de Aptidão Física de Bocaiuva. Árbitro pela Confederação Brasileira de Atletismo. É bacharelando em Educação Física.

E como não poderia ser diferente, o Bocaiuvaonline, entrevistou, para a sua coluna semanal de entrevistas, Gabriel Franco, sobre as aplicações da rotina física durante a pandemia e como o setor vinha se mantendo sem a funcionalidade normal das atividades.

Bocaiuvaonline – Antes da pandemia, existia uma rotina de vida diferenciada de cada cidadão bocaiuvense, cada um investia tempo naquilo que gostava, porém, agora somos permitidos ou não de realizarmos certas tarefas; e uma delas foi a de frequentar as academias. Como você  e  Team Franco receberam essa informação no primeiro momento?

Gabriel – O respeito ao até então, desconhecido vírus, fora necessário. Isso englobaria a todos os envolvidos na área da saúde, compreender o momento, estudar o comportamento do vírus e seguir as recomendações da Organização Mundial de Saúde e do Ministério da Saúde. Foram medidas necessárias e compreensivas.

Bocaiuvaonline – Com a proibição da abertura da academia, Gabriel, como você conseguiu e vem conseguindo se manter, tanto no aspecto financeiro quanto no contato com os alunos?

Gabriel – O início da Team Franco não dependia de um ponto fixo, porque trabalhei nas ruas e nas casas. Portanto, nesse momento, apesar de ser novo em normas, só precisei buscar às minhas raízes, trabalhando como autônomo. Além disso, também atendo em outras cidades e incluímos o atendimento online. Em nenhum momento perdemos o contato de suporte com os nossos alunos. Temos um compromisso com eles.
Do ponto de vista comercial, sempre valorizei a gestão financeira. Em momentos de crise, o empresário que se organizou tem um pouco mais de tranquilidade em um país dificultoso no cenário empreendedor.

Bocaiuvaonline – Por mais que saibamos que as restrição sejam impostas por especialistas em saúde, principalmente no que se refere ao coronavirus, você acredita que a decisão de fechar as academias no primeiro momento foi acertiva? Será que o bem oferecido por elas não seria importante a ponto de manter a sua funcionalidade com restrições e adaptações igual à outros comércios?

Gabriel – No primeiro momento, até que fosse estabelecido estudos e informações confiáveis sobre as vítimas, entendi que era a melhor escolha. No entanto, como nos encontramos em uma Sindemia, que é quando há mais de uma pandemia, projetos adaptados de combate a pandemia do sedentarismo deveriam ter sido desenvolvidas. Isso combateria uma onda prevista e crescente de desordem de hábitos, que tem levado e agravado problemas psicológicos e físicos.

Bocaiuvaonlilne – A gente sabe que exercícios físicos são muito importantes para o ser humano, não apenas para o corpo, mas também para a mente; e nesse tempo de reclusão social um dos maiores problemas que a população em geral vem apresentando é no campo psicológico. Qual o impacto você acredita que a falta da frequência nas academias, e automaticamente na realização de exercícios físicos, pode ter causado nos usuários? Até onde o exercício pode ajudar nesse momento de pandemia?

Gabriel – Diria que existe uma falta de entendimento nacional sobre os benefícios múltiplos da prática de exercícios e assim como a falta de saneamento básico potencializou a crise brasileira, o mesmo ocorre com a falta de entendimento sobre saúde preventiva. Muitos ainda remetem o exercício à estética. Penso que, frente às boas respostas quanto a uma vida mais longa e com menos doenças que o exercício traz, estética seja o menor dos ganhos. Caso fosse disseminado e entendido como prevenção, as pessoas continuariam se exercitando em casa, mesmo sem as academias. O maior impacto está na falta da importância concedida a esse tema. Momentos como a pandemia do Covid-19, foram refletidos em um recente estudo brasileiro, o qual trouxe os alarmantes dados de que 70% das mulheres que não estão exercitando nesse momento, encontram-se em algum quadro depressivo. Além disso, as mulheres inativas fisicamente, tem chances aumentadas em  134% de desenvolver depressão. As pessoas que praticam exercícios regulares, terão melhores respostas de aprendizado, no sono, na regulação hormonal e na regularidade de hábitos saudáveis. Além disso, uma recente pesquisa da Universidade Estadual Paulista UNESP, sugere que a Irisina, Hormônio produzido durante o exercício pode modular genes relacionados à replicação do novo coronavírus. Em um também recente estudo, trouxe que o tecido adiposo pode, aparentemente servir como repositório do vírus. Isso ajuda a entender porque indivíduos obesos têm maior risco de desenvolver a forma grave da COVID-19. Indivíduos obesos tendem a ter níveis menores de irisina, assim como maiores quantidades da molécula receptora do vírus, quando se compara com os não obesos. Ainda nessa linha de raciocínio, o estudo chinês, mostrou que 88,24% das pessoas mortas por coronavírus, estavam com sobrepeso ou com obesidade. Nesta época, devido a falta de informação, também já se era esperado a desregulação do sono e da alimentação, levando as pessoas a dormirem tarde e alimentarem mal, por exemplo. A regularidade em nossos dias, faz o organismo se adaptar melhor ao mundo e, quando aparecer uma situação adversa,  vai conseguir superar melhor. É o contrário do que as pessoas pensam. Quando a pessoa fica exposta a algo que não tem sequência, ela se estressa muito mais. E quando surge realmente um problema, ela não tem a organização para lidar com isso. Quando já está organizada, suporta melhor situações diferentes. Rotina dá muito mais segurança. Na pandemia, muita gente está tendo dificuldades em se reorganizar, inclusive as crianças. Essa desregulação está diretamente ligada com aumento de agressões, diminuição da capacidade de resistir aos estresses diários, uma maior desatenção, entre outros problemas que tem sido e também acredito que serão recorrentes no retorno escolar. Será preciso readaptar a maneira de reinserir o aprendizado na individualidade do aluno, caso contrário, será catastrófico e ineficiente.
 No caso das crianças, elas devem brincar e correr. No ensino à distância, elas não fazem isso. Então, tem de fazer uma atividade física extra, música. Isso é importante. Mas é importante fazer com que tudo seja bem organizado e que ela tenha tempo para descansar – e, o que também é essencial, que não tenha de fazer dever de casa depois das 20h, pois, nesse horário, fazê-lo não será produtivo para a criança ou para a família.

Bocaiuvaonline –  Por que dormir cedo é importante na pandemia?

Gabriel – O hormônio que faz você ter melhor qualidade de sono é a melatonina, ela também está ligada com o sistema imune e com a regulação hormonal. A melatonina é inibida pela luz dos aparelhos eletrônicos. Assim, não se tem o sono mais profundo (o de ondas lentas, que é o estágio 4 do sono), que é quando o cérebro se recompõe. Outro ponto importante é que o corpo demora três horas para chegar ao sono mais profundo, e o hormônio do crescimento, por exemplo, tem seu pico à meia-noite e meia, independentemente da hora em que se foi dormir. Se você foi dormir às 23h, não pega esse pico, porque ele precisa coincidir com o sono profundo. E esse hormônio, aliás, é essencial para todo ser humano, não apenas para crianças e adolescentes. Em relação à depressão, por exemplo: o hormônio do crescimento chega à célula do cérebro que faz a seratonina (que protege da depressão) e faz crescer a proteína dela, o que significa mais seratonina no dia seguinte. Então, sempre que se dorme mais tarde, estocam-se menos substâncias do seu cérebro para o dia seguinte. O dia seguinte é pior. A pessoa comete mais erros por falta de dopamina, tem mais chance de se deprimir por falta de seratonina, etc. Dentre os malefícios da noite, está a televisão. O Ibope é medido em São Paulo, e a família paulista, por causa do trânsito absurdo, foi chegando em casa cada vez mais tarde. Isso foi sendo acompanhado, o que significou mudança gradativa desses horários para todos. Hoje, ele é muito tarde.  As programações infantis vão até as 22h nos canais abertos, e nas TVs a cabo, até mais tarde. E a mídia infantil não é regulada, então as novelas sempre mostram crianças para atrair público infantil. Essa é uma estratégia que foi modificando os horários. Para completar, nos últimos anos, ainda apareceram computador, internet, e isso piorou a situação. A união desses meios mal utilizados à uma crise sindêmica do coronavirus, com o sedentarismo, trará problemas ao Brasil.

Bocaiuvaonline – Finalmente, nessa semana, através de decreto municipal publicado no final da tarde da última quarta (19), foi autorizado a reabertura das academias, como essa notícia foi recebida por vocês, profissionais da área e pelos alunos? O primeiro dia de retorno às atividades normais foi como esperado?

Gabriel – A notícia foi abraçada com felicidade. Somos o único meio de combate a pandemia do sedentarismo nesse momento. Claramente, permeia uma sensação de frustração pelo retorno tardio em Minas. Muitos ainda enxergam o estabelecimento e não a saúde. Retoma a velha dissipação de saúde do séc XVlll, na qual saúde era concentrada em uma só profissão. Não podemos estar em 2020 e viver como a 300 anos atrás. Não ver integração no sistema atual, é negligência grave. A Team Franco sempre teve um método de trabalho voltado às turmas reduzidas, para que possamos nos dedicar ao máximo a qualidade de vida de nossos alunos, nesse sentido, não foi novidade as normas aqui dentro, já trabalhávamos com esses cuidados. O retorno foi como esperado: prudente, alegre e com muitos objetivos de melhoria de saúde física e mental. Os alunos estão felizes!

Bocaiuvaonline – No final da tarde de ontem, através do boletim informativo COVID-19, foi divulgado uma quantidade alarmante de casos confirmados e suspeitos do coronavírus em Bocaiuva, você acredita que pode vir novas sanções administrativas por meio da prefeitura para voltar ao fechamento temporário das academias?

Gabriel – Certamente, esse alto número de casos não foi por motivo das práticas físicas, retornamos no dia do boletim. Infelizmente, acredito que ainda feche esses estabelecimentos. Conforme dito, no Brasil, há uma infantilização de certas profissões, como se alguns profissionais não fossem capazes de se prevenir ou até, de ministrarem uma aula com prudência. Somos saúde, mas ainda não reconhecidos assim. Organizar um retorno leva responsabilidades,organização, tempo, investimento. Ninguém quer que seu empreendimento seja visto como desorganizado e disseminador de uma doença grave. A Team Franco se preparou para retornar com segurança!

Bocaiuvaonline O Bocaiuvaonline vem acompanhando as suas redes sociais e percebido que uma das estratégias adotadas por você foi a de realizar o treino individual e na casa do aluno. A sensação é a mesma de estar em uma academia? Consegue-se realizar os exercícios como se estivesse em um lugar adequado e com a infraestrutura que você oferece no seu local de trabalho?

Gabriel – A adequação é relativa. Cada local, recebe os seus bônus e os seus ônus. O melhor agora, é aquele que o aluno/paciente se sinta mais seguro. O importante é não ficar parado!

Bocaiuvaonline – Muitas pessoas falam que o mundo mudou, que as coisas não irão voltar como eram antes, vem vindo aí um novo normal. Você também acredita nisso? Você entende que a academia está passando e irá passar por uma transformação?

Gabriel – O mundo muda sempre. Historicamente, guerras, revoluções e epidemias são  fatores que aceleram tendências. As academias já se transformaram e não digo isso somente pela intensificação higiênica, por aparelhos ou pelo número reduzido de alunos. Quem pensa assim, não aprendeu com os dias difíceis, ficou para trás.

Primeiramente, agradeço aos responsáveis pelo Bocaiuvaonline , pela confiança e pelo respeito. Gostaria também, de convidar os  internautas  deste importante periódico que façam uma visita ao Centro de Capacitação Física Team Franco, que está localizado na Avenida Francisco Dumont, de frente ao Banco Itaú (acima da Farmácia Central II), no Centro de Bocaiúva. Instagram: @_team_franco e pelo celular: 038 9 98259460.