Entrevista com a Superintendente de Vigilância em Saúde Wiviane Pimenta

 Entrevista com a Superintendente de Vigilância em Saúde Wiviane Pimenta

Sobre a campanha de vacinação contra o sarampo em Bocaiuva

A entrevistada dessa semana do bocaiuvaonline, possui graduação em Enfermagem pelas Faculdades Integradas Pitágoras de Montes Claros/MG, especialista em Saúde da Família, na modalidade Residência pela Universidade Estadual de Montes Claros (UNIMONTES), especialista em saúde Pública com ênfase em saúde da família pelas Faculdades Integradas Pitágoras de Montes Claros/ MG, mestre em Cuidado Primário/ UNIMONTES.

Empório Natural

Wiviane Costa Pimenta é natural de Bocaiuva e já atuou como enfermeira da Estratégia Saúde da Família do município de Montes Claros/MG por quatro anos. Atualmente está como Superintendente de Vigilância em Saúde no município de Bocaiúva/MG desde janeiro de 2017.

Wiviane ocupa um cargo de suma importância no âmbito municipal em meio à maior crise de saúde pública da nossa geração, a pandemia do coronavírus, que vem trazendo medo, contágio e mortes em nossa cidade. Algo que não estávamos esperando e que com certeza o sistema de saúde como um todo, tanto público quanto particular, não estava preparado para esse enfrentamento; mesmo assim, o município, através da prefeitura e de suas secretarias, principalmente a de saúde, vem realizando excelentes trabalhos no que lhe diz respeito, o contágio continua e os números de casos vem aumentando mais os cuidados básicos estão sendo tomados.

E no meio dessa pandemia não se pode esquecer de outros cuidados com a saúde do cidadão bocaiuvense, e a secretaria de saúde vem trabalhando em várias frentes ao mesmo tempo, como por exemplo, a campanha de vacinação contra o sarampo, que o tema da nossa entrevista de hoje e que também é algo importante a ser combatido. Atendendo à nossa reportagem, Wiviane trás informações e dados importantes sobre essa campanha em nossa Bocaiuva.

Bocaiuvaonline – Esta é a quarta fase da vacinação contra o sarampo, e tem como público alvo pessoas entre 20 e 49 anos, e teve o seu término prorrogado do dia 31/08 para o dia 31/10 pelo Ministério da Saúde, devido à baixíssima adesão. Em Bocaiuva a população também não aderiu à campanha?

Wiviane – Em Bocaiúva não foi diferente comparado ao resto do Estado, nossa cobertura que alcançou a adesão foi muito pequena mesmo diante dos esforços do setor de imunização do município.

Bocaiuvaonline – Qual a porcentagem da população imunizada nessa fase da campanha até o momento e qual era a quantidade esperada?

Wiviane – Nessa 4º etapa até o dia 05/10/2020 15,35%(SIPNI-WEB) – A meta colocada pelo o estado foi de 21.520 pessoas a serem vacinadas, conseguimos 4.348 mil pessoas.

 2 – Nas outras 3 fases da campanha, que teve início ainda no ano passado (1ª Etapa de 6 meses a 5 ano, 2ª Etapa de 20 a 29 anos e a 3ª etapa de 5 a 19 anos), como estão os números em Bocaiúva?

Wiviane – Segue os dados da cobertura acumulada da vacinação contra o sarampo em porcentagem conforme por faixa etária do nosso município (Fonte: SIPNI-WEB JANEIRO/2020)

  • 0-2 anos – 55,19%
  • 3 anos – 82,59%
  • 4 anos – 92,7 %
  • 5- 6 anos -80,90 %
  • 7-11 anos – 65,96
  • 12 anos – 68,12
  • 13-14 anos – 78,09
  • 15-16 anos – 56,46
  • 17-19 anos – 87,41
  • 20-24 anos – 22,33
  • 25-29 anos – 1,45%

Bocaiuvaonline – Conseguiu-se as porcentagens estabelecidas?

Wiviane – Infelizmente nossa cobertura ficou em 75,51% somando as 3 etapas.

Bocaiuvaonline –Na sua opinião, qual é o maior fator para as pessoas não terem aderido à campanha, já que é para o bem de todos e é gratuita.

Wiviane – Existe uma dificuldade de compreensão dessa faixa etária em completar seu cartão de vacina e/ou sumir o comprovante. Ainda o sexo masculino é pior, pois existe uma certa resistência em procurar o sistema de saúde. Muitos procuram e iniciam esquemas do calendário do adulto apenas quando vão entrar em alguma empresa. Creio que a falta de conhecimento da importância (não da vacina e nem que ela é gratuita). Estamos em uma geração que não conheceu a doença ao vivo ou de perto, não perderam um ente querido e nem viram sequelas da consequência do sarampo ou de qualquer doença imunoprevinível (um dos fatores das pessoas maiores de 50 anos não necessitar tomar é por causa que os mesmos já tiveram contato com o vírus selvagem e desenvolveram imunidade na “raça”).

Bocaiuvaonline – Para controlar a doença por meio da imunidade coletiva, estima-se que 95% da população deve estar imunizada. O sarampo está entre as infecções com maior capacidade de transmissão, portanto a imunização coletiva seria fundamental. A secretaria de saúde municipal não vem medindo esforços para a realização da campanha, porém, você acredita que neste último mês, Bocaiúva conseguirá atingir essa porcentagem de imunizados?

Wiviane – Desde que iniciou a primeira fase temos feito busca ativa, falado em redes sociais, entrevista em rádios e uma parceria com a Estratégia Saúde da Família. Tivemos um agravante esse ano que foi a pandemia COVID-19 o qual fez muitos ficarem em casa e para não aglomerar tentamos agendamentos e também um dia de Driver Thru contra o sarampo para quarta fase. Agora esse mês estamos adotando a parceria com as empresas para vacinar seus colaboradores, deslocamos uma equipe e a mesma vacina todos que estão dentro da faixa etária determinada para campanha.

Wiviane ainda ressalta que a vacina sempre foi de praxe no Sistema de Saúde, e que a necessidade da campanha foi sobre casos que ocorrem em nosso país trazendo o vírus do sarampo de volta à nossa sociedade.

Gostaria de relembrar que essa vacina sempre esteve no calendário vacinal do programa nacional de imunização (gratuita) e a motivação dessas companhas veio devido a primeira reincidência da doença que ocorreu em 2018 nos estados de Amazonas e Roraima como consequência, provocou a perda do certificado de erradicação da doença fornecido pela Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) em 2016. Wiviane Pimenta.

Nesse momento, mesmo que o vírus estivesse de volta, se a população estivesse completamente imunizada não haveria problema algum, até mesmo porque a vacina resguarda o indivíduo de contrair o vírus e não o vírus de circular.

De acordo com o Ministério da Saúde, o genótipo do vírus (D8) encontrado no Brasil é o mesmo em circulação na Venezuela, país que apresenta o surto de sarampo desde 2017. Esse fato fez com que houvesse uma especulação sobre os novos casos, que teriam sido provocados pela importação do vírus. Se toda a população tivesse com a vacina em dia o vírus não teria entrado, mas ainda existe os anti-vacinas ou contra as vacinas que jogam Fake News em redes sociais desmerecendo essa prevenção. Quando a população adulta principalmente, pois a infantil tem o cartão quase 98% em mãos, começar a dar importância em guardar seu cartão de vacina e se vacinar teremos uma outra realidade e cada dia erradicando doenças imunopreveníveis.