Entre elogios, alertas e sugestões, conselho fiscal listou 14 itens em finanças de 2019 do Atlético-MG

 Entre elogios, alertas e sugestões, conselho fiscal listou 14 itens em finanças de 2019 do Atlético-MG

Órgão pertencente ao conselho deliberativo examinou o balanço financeiro para a aprovação unânime no fim do mês passado; Galo fechou 2019 com R$ 6 milhões de deficit

No último dia de julho, o Conselho Deliberativo do Atlético-MG se reunia para votar a aprovar por unanimidade as demonstrações financeiras do clube, relativas ao ano anterior. O balanço do Galo, aprovado, apresentou deficit do exercício em quase R$ 6 milhões. A aprovação do conselho foi após o parecer do conselho fiscal do clube, que indicou pela aprovação. No exame fiscal, o balanço foi alvo de alertas, elogios e recomendações.

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Num documento com 14 itens, o conselho fiscal, liderado pelo advogado Sérgio Leonardo, apontava aspectos do balanço. Um deles era o aumento da receita bruta no Galo. Mas também houve o indicativo de que, se não fosse a doação de R$ 49 milhões do empresário Rubens Menin ao clube, via terreno da futura Arena MRV, o prejuízo do Atlético seria de R$ 54 milhões, algo que feriria a Lei do Profut. Tal aspecto do balanço serviu de “ressalva” do conselho fiscal, ainda que ele destaque que a doação do terreno foi “legítima, lícita e muito bem-vinda”.

Veja os pontos abordados

Aumento de receitas

O conselho fiscal destacou que os R$ 354 milhões de receita bruta em 2019 representam uma “retomada de ciclo de alta” de 2017. Naquele ano, o Galo somou R$ 311 milhões de receita, com queda de R$ 258 milhões em 2018.

Também como ponto positivo, o órgão de fiscalização apontou que a recita com transmissões esportivas de 2019 teve aumento de 20% em relação ao ano anterior, atingindo os R$ 120,8 milhões. É citado o valor de R$ 171 milhões contabilizado em 2017, mas com o adendo de que, naquele ano, o Galo recebeu R$ 64 milhões de luvas por renovação de contrato de transmissão.

Ainda no campo de receitas incrementadas, o conselho fiscal repetiu o próprio balanço e destacou os R$ 106 milhões arrecadados em vendas de jogadores, algo recorde no clube. Em 2020, o orçamento (atingido pela Covid) previa venda de R$ 100 milhões em direitos econômicos de atletas.

Em relação a clubes sociais, o conselho fiscal apontou que as receitas da Vila Olímpica e Clube Labareda superam as despesas em cerca de R$ 1,5 milhão, algo que “vem ocorrendo de forma satisfatória há alguns anos”.

Viagens

Um fator que despertou atenção do conselho fiscal e criou o pedido de explicação maior da diretoria foi o custo de viagens, que atingiu R$ 10 milhões em 2019. A diretoria explicou que aconteceu um número maior de jogos para o Galo na temporada – participando da Sul-Americana (até a semifinal) e também na Libertadores (10 jogos). O Atlético gastou R$ 5,2 milhões em viagens fora do Brasil, contra R$ 360 mil em 2018.

A ida para a Venezuela (Barinas), para enfrentar o Zamora na última rodada da fase de grupos da Libertadores, foi atípica. No relato da diretoria-executiva, o Atlético viu a viagem ser rejeitada por sete companhias aéreas (duas delas da Venezuela), por conta dos riscos que o país vizinho proporcionava, pelos conflitos internos que geraram pouca segurança.

Ainda que considerando as explicações “pertinentes”, o conselho fiscal elaborou quatro recomendações para o Galo rever a política de viagens para os próximos anos: rever a política de comitiva (número de pessoas nas delegações); implementar maior concorrência entre agências de viagens; elaborar um planejamento anual das viagens; e analisar a possibilidade de se criar um setor específico de viagens no próprio clube.

Sobre este assunto, cabe um parênteses. O cenário criado pela Covid-19 praticamente joga por terra a possibilidade de o Atlético executar as recomendações. O clube vem fazendo pacotes de viagens fretadas com companhias aéreas para os jogos no Brasileirão.

Com o intuito de evitar o contágio, a delegação alvinegra não dorme mais do que uma noite nas cidades onde visita. Chega no dia anterior ao jogo e volta para Belo Horizonte logo depois da partida. Com isso, apesar dos gastos mais altos com os voos fretados, há o contraponto de que o Galo usa apenas a diária do hotel que a CBF paga aos clubes.

Despesas jurídicas

Outro ponto abordado pelo conselho foi o gasto com fornecedores diversos, principalmente no que diz respeito ao departamento jurídico. Os fiscais afirmam que nada de irregular foi encontrado nas contas apresentadas pela diretoria e ainda ressalta que o departamento jurídico do Atlético é enxuto e, por vezes, se faz valer de serviços de terceiros para “colher significativos resultados positivos”.

Na reunião do conselho, o presidente Sérgio Sette Câmara (advogado) chega a citar o caso de um advogado que trabalhava em seu escritório e em casos do Galo. Segundo Sette Câmara, ao assumir a presidência, disse a esse advogado que ele deveria escolher entre seguir no escritório do presidente, mas sem o Galo na sua cartela de clientes, ou deixar o escritório e seguir sendo um prestador de serviços do Atlético.

Galo na Veia e patrocínios

O conselho fiscal salientou que o programa de sócio-torcedor do Atlético precisa ser “reinventado”. Houve queda de quase 25% das receitas (de 2018 para 2019), tendo o Galo na Veia injetado R$ 10,3 milhões nas receitas do clube. “Receitas muito aquém do desejável para um clube com uma torcida numerosa e fanática”, diz o relatório do conselho.

No próprio balanço financeiro assinado por Sette Câmara é dito que o GNV está sofrendo completa reformulação. De fato, pouco antes da pandemia, o Atlético mudou a concepção do programa, com novos valores e vantagens. Muito por conta da campanha “Manto da Massa”, na qual o clube criou concurso para o desenho de um torcedor virar o design de uma camisa oficial, houve aumento dos sócios de 23 mil para 43 mil planos.

Fonte: GE