Coronavírus rompe rigor orçamentário na Alemanha

 Coronavírus rompe rigor orçamentário na Alemanha

No segundo trimestre do ano, a Alemanha registou uma queda histórica de sua atividade, com perdas de 10,1% e a taxa de desemprego subiu para 6,4%, sendo que antes da crise era de 5%.

O governo alemão se prepara para deixar de lado novamente sua regra sagrada de rigor orçamentário, devido ao déficit crescente causado pelo impacto da pandemia do coronavírus.

“No próximo ano seremos forçados a pedir uma exceção à regra sobre o limite do endividamento público”, anunciou o ministro das Finanças, Olaf Schloz, ao grupo de imprensa regional Funke na sexta-feira (21).

O “freio da dívida”, inscrito na Constituição alemã desde 2011, proíbe o governo federal de tomar emprestado mais de 0,35% do PIB a cada ano. No entanto, o Executivo pode, em casos excepcionais, solicitar autorização à Câmara dos Deputados para ultrapassar esse limite.

Em março, em face do golpe econômico causado pela nova pandemia de coronavírus, Berlim teve que desbloquear cerca de um trilhão de euros para ajudar empresas em dificuldades devido às medidas de confinamento e trabalhadores afetados pelo desemprego parcial.

O governo federal tomou emprestado 218,5 bilhões de euros na época, após vários anos de superávit.

Três meses depois, a Alemanha dedicou 130 bilhões de euros a ajuda às famílias e aos investimentos “para o futuro”, em um plano de recuperação sem precedentes.

Da mesma forma, o governo de Angela Merkel também deixará para segundo plano outra de suas diretrizes políticas, a do “déficit zero” e a de não recorrer a empréstimos.