Ceni como referência e passado no futsal: Everson, titular do Atlético-MG, explica facilidade com os pés

 Ceni como referência e passado no futsal: Everson, titular do Atlético-MG, explica facilidade com os pés

Goleiro assumiu a meta do Galo e tem se destacado nos passes, inclusive com assistência na última partida

Apesar de ter o ótimo Rafael e o ídolo Victor à disposição, Jorge Sampaoli exigiu a contratação de Everson para o gol do Atlético-MG. O arqueiro de 30 anos chegou, assumiu a titularidade e, em três jogos, já deu uma boa amostra da característica que fez o técnico argentino solicitar sua presença no Galo: a saída de bola com os pés, com qualidade. Em coletiva, ele citou elementos da sua trajetória que fizeram com que ele se tornasse um goleiro diferenciado nesse tipo de lance.

– Eu pude fazer a base no São Paulo, onde tinha o Rogério Ceni, que já se destacava com os pés na época. Eu também sempre joguei futsal. Na época, o futsal já tinha o goleiro linha, e eu sempre gostei de me aventurar no ataque. Creio que isso (ajudou), jogar futsal e ter feito a base no São Paulo, com uma referência que tinha um diferencial com os pés. Com meu trabalho no ano passado, com o Sampaoli (no Santos), pude evoluir muito mais em relação a esse jogo com os pés. Tudo isso acabou me ajudando para que eu pudesse chegar nesse nível que eu estou hoje.

Everson tem motivo de sobra para comemorar o início no Atlético. Foram três jogos até aqui, três vitórias, boas defesas e até uma linda assistência para Keno (veja no vídeo abaixo). Aos poucos, o goleiro vai deixando para trás a desconfiança que tinha de parte da torcida.

– Muito feliz com esse começo de trabalho aqui. Sabemos que a função principal do goleiro é defender, mas, com o futebol moderno, com esquema tático, com a característica do nosso treinador, estou podendo ajudar a equipe em outras valências. Muito feliz com esse momento, por ter feito algo difícil, que é dar uma assistência para um atacante marcar o gol. Vamos trabalhar para continuar ajudando não só dentro do gol, mas também distribuindo bem a bola para os nossos jogadores – disse.

– Lógico que, trabalhando em uma equipe tão grande quanto o Atlético, você sempre vai ter cobrança, desconfiança por um lado do torcedor. Mas cheguei aqui buscando trabalhar, buscando procurar o meu espaço. (…) Quero continuar demonstrando meu trabalho no dia a dia para que nos jogos eu possa estar representando muito bem essa grande equipe, com essa massa atleticana, para que lá na frente a gente possa estar comemorando junto, se possível, esse título brasileiro – completou.

Outras respostas de Everson

Preparação para encarar o Vasco

– Mais um jogo difícil, como todos do Brasileiro. O Vasco é uma equipe qualificada, tem um ataque qualificado, o Talles Magno que joga na ponta, o Cano que é um finalizador nato, precisa de um, dois toques para finalizar. A gente costuma conversar que não tem um sistema defensivo, o sistema defensivo sustenta o ataque, e o ataque acaba ajudando o nosso sistema defensivo. A gente se prepara para estar ligado, tirando esse ponto forte do Vasco, que é a jogada individual do Talles e a finalização do Cano. Cabe a nós trabalhar na semana para estar preparado e, no domingo, desempenhar um bom futebol e buscar a vitória. Lógico, respeitando a equipe do Vasco.

Responsabilidade pelo pedido de Sampaoli

– Com certeza aumenta a responsabilidade pelo fato de o professor te indicar, pedir a sua contratação várias vezes, ficar enchendo o saco do Mattos pra que houvesse essa contratação (risos). Sempre aumenta essa responsabilidade, não só por estar vestindo essa grande camisa, mas também pelo pedido do treinador.

Tem a ideia de bater faltas no Galo?

– Em questão de bater falta, quero primeiro trabalhar, procurar representar muito bem a equipe do Atlético dentro do gol, ajudar em todas as valências que é necessário no futebol moderno. Mais na frente, se a gente tiver a oportunidade de bater uma falta, com certeza eu vou estar realizando um sonho em estar colocando o meu nome na história do Atlético também sendo um goleiro que fez gol de falta com a camisa do Atlético. Pelo o que eu procurei pesquisar, isso nunca aconteceu ainda com a camisa do Atlético, então, com certeza, pra mim seria algo muito especial.

O que o Galo pode tirar de lição do vice-campeonato do Santos em 2019?

– Fizemos um grande campeonato no ano passado com o Santos, e em quase 80% do campeonato a gente brigou pelo título com o Flamengo. Depois o Flamengo distanciou, foi uma equipe acima da média para o Brasileiro. Mas no Santos a gente poderia ter tentado minimizar o momento de turbulência que, infelizmente, num Brasileiro tão competitivo, você acaba passando por esse momento. A gente ficou em uma sequência de alguns jogos sem vitória, o que acabou nos atrapalhando. A gente acabou distanciando do Flamengo. Aqui no Galo é ter foco, pensar jogo a jogo, rodada a rodada. E sempre os três pontos da próxima rodada serem os mais importantes pra gente, para que a gente não passe por esse momento.

Apoio da torcida no aeroporto e na “Rua de Fogo”

– A torcida do Atlético é de massa, apaixonada, acompanha o clube. Mesmo nesse momento complicado, de pandemia, a gente recebeu o carinho do torcedor, viu que o torcedor está focado, esperançoso, confiando no grupo de atletas. Para nós foi bom, sim, é sempre bom ter um incentivo, ainda mais agora, que a gente não pode ter o carinho deles como 12º jogador no estádio. Não aconteceu só na rua de fogo, aconteceu contra o Atlético-GO, eles foram no aeroporto, numa sexta à tarde, dar a palavra de incentivo, acompanhar. Eles mostram que estão com a gente, confiando no elenco. O Sampaoli também gostou, ele gosta do calor humano, de estar sempre próximo, dessa sinergia com o torcedor. Foi importante, um algo a mais.

Fonte: GE